Liderança · 2015 · 6 min

Arrancando o PDCA das mãos dos consultores

DO ARQUIVO · 2015 Escrito em 2015. À época, discutia-se metodologia como se o problema fosse de método. O texto defendia o contrário: melhoria contínua só funciona quando deixa de ser um ritual de consultores e é assumida pela cultura de quem executa. Quase uma década depois, o mesmo vale, ponto por ponto, para a adoção de Inteligência Artificial.

Você sabia que o Ciclo PDCA vai muito além do que uma técnica para revisão e melhoria de processos e que, se a aplicação do método depende integralmente de “terceiros” (leia-se consultores), você está subutilizando a metodologia?

Neste post resolvi revisitar a aplicação prática do PDCA na Toyota após tirar da biblioteca o livro “O Modelo Toyota de Melhoria Contínua”, de Jaffrey K. Liker e James K. Franz, publicado em 2011 e lançado em português pela Editora Bookman em 2013.

O PDCA significa Planejamento (Plan), Execução (Do), Verificação (Check) e Ajuste (Act ou Adjust) e foi criado por Walter Shewhart e popularizado por William Edwards Deming principalmente pelo uso prático e ensino do método para solução de problemas no Japão na década de 1950. Nesta época, Deming encontrou um público muito interessado na Toyota, que levou o PDCA a um nível de excelência em sua aplicação e que todos deveríamos revisitar ou conhecer para entender.

O que a Toyota entendeu — e o Ocidente copiou errado

Quando estudamos bons livros a respeito de Lean Manufacturing (Produção Enxuta) e o Modelo Toyota, entendemos quão importante é a mudança de cultura para processos de melhoria em qualquer parque industrial. Isto não é diferente com o PDCA, Liker e Franz, no livro “O Modelo Toyota de Melhoria Contínua” fazem um alerta crítico a este respeito, indicando quão perigoso foi ao mundo ocidental tentar simplesmente “copiar” e implementar modelos com uma visão de curto prazo (pela pressão por resultados rápidos).

O consultor que entrega relatório, e o que entrega cultura

Meu alerta hoje é contra os consultores que não estão tão interessados em deixar um “legado” de transformação cultural, ganhando dinheiro apenas no apoio à revisão de processos para apresentar um relatório ou conduzir a implementação de um plano de ação de correções. Os bons consultores são o que fazem acontecer, mas os excelentes são os que conduzem a empresa à transformação.

Reproduzo na íntegra, uma tabela comparativa entre a “ferramenta” PDCA muito usual nos trabalhos de consultoria e o PDCA na Toyota, extraída do livro do Liker e Franz:

É evidente que a cultura oriental e as visões corporativas de longo prazo das indústrias japonesas são um aliado a um processo de melhoria contínua realmente eficiente. A alta direção de empresas ocidentais é fortemente pressionada por acionistas que simplesmente não entendem investimentos em capacitação e mudanças culturais para resultados em longo prazo.

Respostas prontas têm prazo de validade

A verdade é que não é sensato contratar consultores competentes para diagnósticos detalhados e busca de respostas “prontas” sobre o futuro das empresas: Qual o meu público-alvo? Como deve ser minha logística de distribuição? Qual é a metodologia de vendas excepcional para o futuro da minha empresa? Devo abolir meu sistema físico de cartões na produção por um kanban eletrônico?

A primeira resposta de um consultor excepcional para estas perguntas é: Depende! No ambiente atual são muitas as variáveis que podem afetar uma decisão e uma mentalidade de transformação revisitará periodicamente decisões tomadas. O consultor excepcional irá apresentar planos de ação e respostas para aquele momento, mas apoiará a empresa em uma mentalidade de transformação e perpetuará seu apoio no longo prazo principalmente para a manutenção desta nova cultura, atuando em um coaching empresarial para garantir que as novas habilidades e competências tenham realmente sido assimiladas não só pela alta direção, mas também disseminadas no DNA da empresa.

← Voltar aos Insights